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O estado do Rio em suas mãos 

Quarta, 09 Outubro 2019 10:50

Você já imaginou o centro do Rio com mais de cinco lagoas? Pois venha conhecê-las e passará a ver a região com outros olhos

Coluna
Você já imaginou o centro do Rio com mais de cinco lagoas? Pois venha conhecê-las e passará a ver a região com outros olhos Fotos: Históricas/Divulgação

Todos sabemos que o entorno do Recôncavo da Baía de Guanabara sofreu inúmeros aterros durante o processo de ocupação do que viriam a ser os municípios que hoje nele dividem seus territórios.


Mas talvez a área que mais tenha sofrido transformações com a ocupação humana tenha sido a região em que hoje está a cidade do Rio de Janeiro.

O Rio de Janeiro e suas lagoas aterradas

Foram inúmeras as lagoas aterradas. E os locais, os mais inusitados. E logo veremos o porquê. A primeira lagoa que podemos citar chamava-se Lagoa do Boqueirão. Ficava onde hoje está o Passeio Público, e por ter se tornado foco de mosquitos e doenças, terminou por receber o material proveniente do Morro das Laranjeiras que ficava ali perto. Na época, a iniciativa ficou por conta do então Vice-Rei, Luis deVasconcelos e Sousa, e ainda hoje podemos visitar o local, o primeiro parque da cidade, onde ia-se passear à beira-mar, já que a praia ficava bem ali ao lado.

Lagoa do Boqueirao

Lagoa do Boqueirão - Ao fundo os Arcos da Lapa, antigo AQUEDUTO - Acervo do Museu Histórico National

Outra lagoa que ficava bem ali perto e também deixou de existir, foi a Lagoa de Santo Antônio, que ficava aos pés do morro de mesmo nome e que passara a abrigar os irmãos franciscanos. Inicialmente eles construíram uma vala para onde iam os dejetos dos moradores da região, que inclusive acabou dando nome a uma das ruas mais movimentadas da cidade: a rua Uruguaiana, que chamava-se na época rua da Vala, e estabelecia os limites do urbano. A cidade terminava ali. Para o além era o “sertão”, a roça, no vocabulário atual. Mas pelo visto não deu muito certo: o aterro ocorreu no final do século XVII e sabe-se que a região não era das mais agradáveis: ali existia um curral e um curtume, que com certeza não devia ter um odor dos mais agradáveis. 

Lagoa de santo Antonio

Lagoa de Santo Antônio - Fonte: Simulação publicada pelo PortalGeo, IPP

Existiam outras ali perto, que comunicavam-se entre si: onde hoje está a Cinelândia, ficava a Lagoa da Ajuda, bem em frente ao então Convento da Ajuda, que ficava onde hoje está a Câmara dos Vereadores. Não é à toa que até hoje o Theatro Municipal tem um sistema de bombeamento que controla a entrada da água que surge por ali. Reza a lenda que na época da construção do teatro, foram encontrados restos de uma embarcação enterrada ali perto.

Já na Lapa, outra: a Lagoa do Desterro. Eram várias, e interligadas: Desterro, Ajuda, Santo Antônio e Boqueirão. Para quem percorre as ruas de hoje, cheias de prédios, fica difícil imaginar como era a região no passado.

Ali adiante, na Glória, mais uma: o Boqueirão da Glória, onde hoje está o Largo da Glória. E bem perto, no Largo do Machado, outra: a Lagoa do Suruí. Aliás uma dica: toda vez que houver um largo ou uma praça, desconfie...

lagoasarerradas

Se ao invés de irmos em direção à Zona Sul, voltarmos ao Centro e nos dirigirmos para a Praça Tiradentes, descobriremos que lá existia a Lagoa da Polé, aterrada em 1791. E se formos em direção ao Largo de São Francisco, mais uma, que ficava atrás da Igreja do Rosário: a Lagoa da Pavuna. Incrível, não é ?? Mas a maior delas, que na verdade não era uma lagoa, mas um braço de mar, era o famoso Mangal de São Diogo, que vinha lá da Leopoldina e virava em direção à atual Avenida Presidente Vargas, se estendendo até onde hoje está o monumento em homenagem a Zumbi de Palmares. Na verdade, anteriormente ela deve ter sido maior.

A região onde hoje está o Campo de Santana era uma espécie de campo alagadiço, que provavelmente deve ter feito parte do mangal no passado. A região foi devidamente aterrada em função da vinda da Família Real em 1808, e a necessidade do então Príncipe Regente, D. João, de chegar a sua nova residência, a Quinta da Boa Vista. Do aterro desta região de mangue, que recebeu o nome de Caminho do Aterrado e das Lanternas, viria a surgir um bairro: a Cidade Nova, que em nada nos faz lembrar da região alagadiça, que se estendia até a borda do que hoje é o Catumbi.

E você?? Consegue imaginar a cidade com tantas lagoas?? É incrível o poder de transformação do ser humano. Para o bem ou para o mal, a cidade em que vivemos hoje nem de longe nos dá uma pista da existência destes corpos d’água, apropriados e ocupados de forma a facilitar a vida de então.



O Rio de Janeiro em suas mãos pela Destinos do Rio

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