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O estado do Rio em suas mãos 

Sexta, 17 Janeiro 2020 12:36

Arte, artistas, produtores culturais e o público

Coluna
A arte em sua essência A arte em sua essência Foto: Freestockcenter / Freepik

“Não importa se é escritor, escultor, ceramista, pintor, arquiteto, músico, ator ou um outro profissional. O autor, que também podemos chamar de artista, certamente acabará usando a Arte como uma maneira de expressar os enigmas da vida”.


Nessas festas de fim de ano, numa roda de amigos na casa de parentes em São Paulo, começamos a discutir temas relacionados a toda essa efervescência política, cultural e econômica e sobretudo a polêmica em torno das leis de incentivo, bem como as consequências do desmonte da Cultura e sobre os efeitos disso tudo sobre nossas vidas: E foi nesse papo animado que surgiu uma questão levantada por um biólogo, funcionário público, que me inquiriu querendo saber uma definição sobre “O que é arte?”. A pergunta é oportuna. Desde então, venho pesquisando, conversando para achar uma definição sensata.

E para tanto, comecei interrogando a própria noção do que vem a ser “popular”. Notei que no campo da música e canção brasileiras, o uso da expressão é revelador. Pesquisas apontam que, até os anos 1940, chamava-se de música popular a música rural, anônima e não mediada; o que hoje entendemos por música folclórica. E à música urbana, que começava a tornar-se autoral e mediada, chamava-se, pejorativamente, de popularesca. A diferença é ideológica: valorizava-se o folclórico por acreditá-lo a manifestação imaculada da identidade original do “povo” brasileiro, de que a canção urbana estaria em alguma medida afastada (o urbano é, por definição, a mistura entre culturas).

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A arte de Oscar Niemayer - Foto: Luciano Azevedo / Destinos do Rio

Dito isso, me vieram dúvidas sobre os conceitos “arte popular”, “cult”, entre outros. E mais uma vez, fui eu buscar resposta junto aos colegas produtores, artistas e pessoas comuns, do meu cotidiano, como minha manicure, a secretária do escritório, a vizinha, enfim, pessoas de todas as idades, que de certa forma, consomem e gostam de Arte, E depois de tanta busca por respostas, compreendi que cada manifestação artística nos leva a uma coerência na qual a Arte é sempre inspirada pelos sentimentos, pelas emoções e opiniões do autor (a) que todo mundo de uma certa maneira acaba relacionando à arte ao nosso cotidiano, que infelizmente está difícil de se viver, pois para a grande maioria dos brasileiros a vida anda um tanto cansativa, sem muitos benefícios, pois estarmos enfrentando longas jornadas de trabalho, somado a horas no trânsito, somado a um salário insuficiente para dar conta da tabela de preços principalmente do diesel, gasolina, mercado, gastos com saúde, educação, vestuário, entre outros, isso reflete diretamente no que estamos consumindo como Arte nos próprios responsáveis pela mesma.

E não importa se é escritor, escultor, ceramista, pintor, arquiteto, músico, ator ou um outro profissional, o autor, que também podemos chamar de artista, certamente acabará usando a Arte como uma maneira de expressar os enigmas da vida e os seus verdadeiros sentimentos. Baseado nesses argumentos eu digo que todo mundo faz na sua arte de vida a senda para o desenvolvimento e aprendizado na evolução do calor humano. É o chamado amor à alma! Isso para mim justifica o fato de muitos filmes, livros, peças de teatro, letras de música marcarem tanto nossas vidas. E toda vez que entramos em contato com essa Arte, nos transportamos à épocas e às vezes à nossa própria trajetória de vida.

E é nessa linha de pensamento, que reafirmo que cada manifestação artística nos leva a uma coerência na qual a Arte é sempre inspirada pelos sentimentos, pelas emoções e opiniões de quem cria. E essa criação é e continuará sendo, seja daqui a dez anos, ou mais, na minha opinião, a única forma de expressar o que cada um sente no íntimo, seja através de um roteiro de cinema, de uma peça teatro, dos livros, da pintura, do artesanato ou das artes plásticas, porque o principal papel da Arte é traduzir as experiências de vida do autor.

Deste modo, a Arte pode ser vista como um veículo de informação importante, porque através dela é possível haver um entendimento de mundo mais amplo, justamente pelo fato dela ter o poder de abrir a nossa mente e de fazer fluir o nosso pensamento para nos fazer entender a nossa própria realidade. Portanto, ela se torna fundamental aos povos, porque nos dá subsídios para compreender melhor a vida. E quando conseguimos entender essas coisas, o cotidiano se torna mais leve, diria até mais divertido. Nesse contexto, a Arte se torna de grande importância social, justamente por ser o veículo que consegue integrar diversas pessoas com personalidades e características físicas diferentes dentro de um meio, que consegue fazer a união da nossa racionalidade com a nossa emoção e a nossa atividade corporal, manifestações que representam aquilo que uns chamam de dom, mas que para mim são aprendizado em sua própria experiência de vida, expressadas na música, na escrita, num roteiro de cinema, num espetáculo de teatro, ou numa peça de artesanato...

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A arte da música - Foto: Racool_studio / Freepik

Nós todos vivemos tanto em nossas imaginações - não apenas os artistas, mas cada um de nós - que, de alguma forma, consegue perceber a conexão imaginativa que é estabelecida entre uma peça ou filme ou livro ou pintura ou uma música e as suas respectivas audiências, nos faz notar que vivemos tão próxima à Arte, como nunca estivemos uns dos outros.

Sendo assim, a Arte é importante não apenas pelo fato de integrar diversas pessoas com personalidades e características físicas diferentes dentro de um meio, o que também justifica o fato de que a classe artística sempre foi e continuará sendo os verdadeiros fornecedores reais da notícia, pois não é o acontecimento em si, que é novo, mas sua ignição de emoção, percepção e apreciação.

Portanto, quando me perguntarem novamente o que é Arte, vou dizer enquanto jornalista e produtora cultural, que somente ela tem o poder de nos fazer perceber todo o sentido da nossa realidade, de compreender o sofrimento e miséria e morte e destruição chovendo sobre as pessoas ao redor do mundo. Também vou lembrar que a Arte tem importância no papel da construção da Paz, na medida que nos ajuda a enxergar toda estupidez e ignorância e intolerância que existe ao nosso redor. Vou lembrar ainda que só a Arte nos ajuda a entender e perceber as mazelas do outro lado do mundo como refugiados correndo ao redor, em pânico, tentando fugir da guerra em seu país, ou das pessoas bem próximas à nós, mas distantes em seus barracos nas favelas do Rio de Janeiro, por exemplo, que vivem condenadas à uma dura realidade com regras impostas pelas milícias ou pela ausência do poder público.

Por essas e outras razões que as manifestações artísticas, seja o teatro, a poesia, o funk, o samba, cinema (drama, ficção, comédia ou romance), ou mesmo esse texto que busca respostas sobre o que é Arte, são provas de que por anacronismo ideológico ou culpa social, a noção de Cultura & Arte pode servir a juízos condescendentes tanto quanto a preconceitos de classe. Neste caso, creio que o entendimento sobre o que é Cultura & Arte, ou somente o que é Arte, deveria desaparecer quando se abandona a ideia de identidade original, mas o fato mesmo de permanecer a expressão “cultura popular” ao meu ver, revela a perseverança da grande maioria do povo, que tem o desejo de definir o conjunto das medidas que garantem a integridade e preservação de algo relativo à nossa própria identidade, afinal, desde cedo, nos foi ensinado de que a Arte & Cultura estão diretamente ligadas com o conjunto de características que define e caracteriza algo ou alguém, diferenciando esta pessoa ou coisa dos demais.

É o termo “composição artística identitária”, que apesar da importância na construção da história de um povo, muitas vezes, na medida em que a função desta última é ultrapassar a Cultura, por ideologia, as coisas se perdem, gerando dúvidas e conflitos, como se ao povo coubesse esse papel de entender o julgamento de que a Arte pode ser inimiga, A regra é sempre explicar e não confundir, principalmente para quem trabalha em prol da Arte, pela Arte ou com Arte. Todos, sem exceção, devemos ser coerentes e sempre evitar uns e outros rótulos, para identificar o excelente, o imprevisto, a ampliação das possibilidades humanas, se assim, quisermos que a Arte se faça presente.

E se você, caro leitor, conseguiu chegar na fase final deste texto, você já entendeu que o papel da Arte é e certamente continuará sendo, o de romper a crosta da consciência convencional e rotineira. Coisas comuns, uma flor, um brilho do luar, o canto de um pássaro, coisas não raras nem remotas, são meios pelos quais os níveis mais profundos da vida são tocados de modo que eles brotam como desejo e pensamento. Este processo de criação é arte. Para os não ateus, diria até que é uma manifestação de que Deus existe, pois onde há arte, há amor. E esse sentimento, nos leva à Gratidão, que logo nos remete às coisas do Universo.



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