Siga nosso Instagram Siga nossa fanpage Siga nosso Twitter Siga nosso Youtube

O estado do Rio em suas mãos 

Quinta, 28 Junho 2018 16:43

Instituto Casa Roberto Marinho, antiga residência do jornalista, está aberto ao público com acervo do modernismo brasileiro

Coluna
Instituto Casa Roberto Marinho, antiga residência do jornalista, está aberto ao público com acervo do modernismo brasileiro Foto: Roberto Teixeira

Casa onde viveu o empresário carioca é transformada em espaço cultural e sua coleção, especializada em modernismo brasileiro, é apresentada ao público.


 Por Mônica Villela Assessoria de Imprensa

Abrem-se os portões do nº 1105 da Rua Cosme Velho e revela-se a casa rosa neocolonial de 1939, que teve por referência o Solar de Megaípe, construção pernambucana do século XVII. O jardim, orginalmente projetado por Burle Marx, comespécies da flora tropical, é um prolongamento da Floresta da Tijuca. Nele, o visitante encontrará obras dos artistas Ascânio MMM, Bruno Giorgi, Carlos Vergara, Maria Martins e Raul Mourão. Há ainda uma obra de Beth Jobim. Ali, o jornalista Roberto Marinho viveu entre os anos 1943 e 2003.

A inauguração foi celebrada com a abertura da exposição Modernos 10

A Casa Roberto Marinho - dirigida pelo arquiteto, antropólogo e curador Lauro Cavalcanti - foi aberta ao público em sua nova função de espaço cultural no dia 28 de abril deste ano. A inauguração foi celebrada com a abertura da exposição Modernos 10, Destaques da Coleção, que apresenta 124 obras da Coleção Roberto Marinho. A mostra ocupa todo o andar superior da casa principal, reunindo dez expoentes do modernismo brasileiro dos anos 1930 e 1940: Di Cavalcanti, Alberto Guignard, Cândido Portinari, Tarsila do Amaral, Djanira, Burle Marx, Milton Dacosta, José Pancetti, Lasar Segall e Ismael Nery.

Integralmente criada com recursos próprios da família

O novo instituto cultural, com arquitetura projetada por Glauco Campello, acrescentou ao terreno de mais de 10 mil metros quadrados, os prédios de reserva técnica e espaço educativo. Foi concebido para promover o conhecimento através da Arte e da Educação e para transformar-se num centro ativo de referência e pesquisa em modernismo. Sem fins lucrativos, a instituição foi integralmente criada com recursos próprios da família, de forma independente, sem qualquer incentivo ou lei de isenção fiscal.

Na Casa Roberto Marinho serão organizadas duas grandes exposições anuais, partindo do acervo focado em Modernismo e Abstração Informal. Com mais de 1.200m² de área expositiva, o projeto conta ainda com sala de cinema (com acessibilidade e capacidade para até 34 pessoas), além de cafeteria e uma unidade da Pinakotheke, livraria especializada em publicações de arte.

A proposta de educação não seriada, através de cursos e oficinas destinados a grupos de escolas, universidades, professores e ao público em geral, é focada na modernização da arte e da sociedade brasileira no século XX. Para a inauguração, a mostra paralela 10 Contemporâneos ocupa o andar térreo e revela a intenção do projeto curatorial de dialogar permanentemente com a produção artística atual. Os artistas Anna Bella Geiger, Carlos Vergara, Daniel Senise, José Bechara, Lena Bergstein, Luiz Áquila, Luiz Zerbini, Malu Fatorelli, Roberto Magalhães e Wanda Pimentel foram convidados a criar gravuras em torno da temática “casa”, para homenagear o novo espaço no Cosme Velho. Vale destacar ainda, no andar térreo, a belíssima escultura de Frans Krajcberg e trabalhos de Cristina Canale, Luiz Zerbini e Orlando Mollica, que homenageiam a paisagem carioca, ao lado de litogravuras de Jean-Baptiste Debret.

Roberto Marinho costumava adquirir obras diretamente dos pintores e escultores

A construção da casa teve início em 1939, mesmo ano em que o jovem jornalista passou a investir nos artistas de sua geração. À época, Di Cavalcanti, Portinari, Tarsila, Malfatti e Pancetti eram pintores que assumiam o Brasil como tema, integrando o amplo movimento cultural que transformou a linguagem artística do país. O acervo reunido ao longo de seis décadas recebeu trabalhos de estrangeiros, como Chagall e Vieira da Silva, sem perder o foco original. Aquisições representativas do Abstracionismo Informal (das décadas de 50 e 60), como Antonio Bandeira, Iberê Camargo, Manabu Mabe e Tomie Ohtake, destacam-se no belíssimo conjunto de 1473 peças cadastradas, que inclui pinturas,esculturas, gravuras e desenhos. Movido pelo amor à arte e pela crença no talento dos nossos artistas, Roberto Marinho costumava adquirir obras diretamente dos pintores e escultores que considerava promissores ou pela emoção que os trabalhos lhe provocavam. Frequentador assíduo de bienais e salões, galerias e ateliês, não raro adquiria quadros e esculturas para ajudar artistas em dificuldades.

 “Foram muitas as histórias que ouvimos do nosso pai sobre sua amizade com Pancetti e as recepções organizadas no Cosme Velho para apresentar suas obras; as visitas ao ateliê de Portinari e o processo de criação de muitos dos seus quadros; as tintas enviadas a Guignard para que não poupasse cores nas suas telas...”, relembram Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto, no texto de apresentação da mostra de abertura, Modernos 10.

Ainda sobre a exposição Modernos 10

Distribuídos nos espaços do primeiro andar, grupos individuais aludem a uma das características do colecionador: a de, após escolher uma obra, procurar reunir, ao longo do tempo, conjuntos de trabalhos do mesmo artista.

A seleção de Roberto Marinho obedeceu a seu gosto pessoal e foi dirigida, em sua maioria, a companheiros de geração, de vários matizes ideológicos, com anseio comum da formação de uma nova mentalidade na arte, pessoas e país. Amigo de Pancetti e Portinari, então jovens promissores, não era inusual receber a visita deles e de outros artistas no escritório ou em reuniões no Cosme Velho.

Nas palavras do curador, “este acervo nos permite um olhar mais denso sobre a produção dos anos 1930/1940, período precipitadamente descrito como ‘cristalização pictórica’ ou ‘mero exercício de um modernismo tardio’, muitas vezes subestimado frente aos valorizados avanços dos anos 1920 e 1950. Nossa era convida a revisões de muitos julgamentos e esta exposição é uma excelente oportunidade de redescoberta e avaliação desses dez magníficos artistas”.

Sobre o curador

Lauro Cavalcanti nasceu em 1954, vive e trabalha no Rio de Janeiro. É arquiteto, antropólogo, curador de exposições e escritor. Autor de vários livros sobre arquitetura, estética e sociedade, além de inúmeras mostras de artes plásticas realizadas no Brasil e no exterior. Foi diretor do Paço Imperial de 1992 a 2014. É professor da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI/UERJ) e desde 2014 é o diretor-executivo do Instituto Casa Roberto Marinho.

Mais informações

Instituto Casa Roberto Marinho
Rua Cosme Velho, 1105
Rio de Janeiro – RJ
Tel: (21) 3298-9449

Abertura pública em 28 de abril, ao meio-dia

Horário de funcionamento regular
Terça a domingo, das 12h às 18h

Ingressos: R$ 10 (inteira) / R$ 5 (meia entrada)
Às quartas-feiras, a entrada é franca.
Aos domingos, “ingresso família” a R$ 10 para grupos de quatro pessoas.

A CRM respeita todas as gratuidades previstas por lei.

Exposições

Modernos 10 - Destaques da Coleção 10 Contemporâneos
Abertura: 28 de abril
Encerramento: 30 de novembro

Café Metiers

Terça a sexta: das 12h às 18h
Sábados, domingos e feriados: das 9h às 19h
Capacidade: 40 pessoas

Estacionamento gratuito para visitantes, em frente ao local, com capacidade para 30 carros.

A Casa Roberto Marinho é acessível a portadores de deficiências físicas.

Mais informações

Acesse o site oficial clicando aqui


Instituto Casa Roberto Marinho, antiga residência do jornalista, está aberto ao público com acervo do modernismo brasileiro no Mapa Interativo


    O Rio de Janeiro em suas mãos pela Destinos do Rio

    Curta nossa página no Facebook.

    Fechar

    luciano aguiar de azevedo5
    "Integrando os 92 municípios do estado"
    (Luciano Azevedo/CEO fundador)
    LEIA O EDITORIAL

    Amigos da Destinos do Rio

    Conheça as prefeituras, projetos, empresas, instituições, agências e assessorias da rede de colaboração de conteúdo.